Colheita de flores

Colheita de flores

terça-feira, 23 de novembro de 2010

ORAÇÃO A MIM MESMO - OSWALDO ANTONIO BEGIATO

                                                          COPOS DE LEITE - OST
                                                                  vendido

  • Que eu me permita olhar, escutar e  sonhar mais.
  • Falar menos, chorar menos.
  • Ver nos olhos de quem me vê a admiração de que eles me têm  e não a inveja que prepotentemente penso que têm.
  • Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática as palavras que se fazem gestos
  • e os gestos que se fazem palavras.
  • Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar. Saber realizar os sonhos que nascem em  mim e por mim e comigo morrem por eu não saber sonhar.
  • Então que eu possa viver os sonhos possiveis e impossíveis; aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo tempo, a cada nova flor,  a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia.
    Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar,  sonhar o amar, sonhar o amálgama.
  • Que eu me permita o silêncio das formas,  dos movimentos, do impossível, da imensidão de  toda profundeza.
  • Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras,  pela oração mental (aquela que a alma cria é só ela, alma, ouve, e só ela, alma, responde).
  • Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o saber da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.
  • Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelo meus olhos, fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante.
  • Que eu possa chorar menos de tristezas e mais de contentamentos.
  • Que meu choro não seja em vão, e que em vão não sejam minhas dúvidas.
  • Que eu saiba perder meus caminhos, mas que saiba recuperar meus destinos com dignidade.
  • Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo: Que eu não tenha medo dos meus medos!
  • Que eu adormeça.....
  • (Oswaldo Antonio Begiato)