Colheita de flores

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Artur da Távola - AMOR MADURO

                                                      FLORAL DE ROSAS

O AMOR MADURO
"O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso.
É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações.
Presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas.
Amplia-se com as ausências significativas.
O amor maduro tem e quer problemas,sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir, o bem, o prazer.
Problemas de infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles,  o ficar com o gosto da boca e o cheiro do outro- está a compreensão antecipada,  a adivinhação, o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos  silenciosos da percepção, o prazer de conviver,  o equilibrio de carne e de espirito.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que fermentou, criando dimensões  novas para sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe.
Não exige, oferece.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz."
(Artur da Távola)